Templo de Deir el-Bahari - Egito Antigo

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Templo de Deir el-Bahari

Templo de El Der El Bahari
O templo de El Der El Bahari ou Templo de Hatchepsut é um do mais belos templos do Egito. Foi construído para ser um templo funerário ou comemorativo para a rainha Hatchepsut que foi uma das maiores rainhas da História Egípcia. Hatchepsut reinou por quase 21 anos (1490-1470 d.C). O templo está situado na margem oeste de Luxor. O grande Arquiteto Sinmut que desenhou este templo parece que foi inspirado pelas ruínas do templo vizinho que pertence ao rei Neb-Hpet-Rá quem era um dos grandes monarcas da XI dinastia, pois o templo consta de três terraços, em forma de três andares, cada um em cima do outro consecutivamente unidos entre si por uma rampa no centro, e inclui as capelas de Amon, Anúbis, Rá-Hor-Akhti, e Hathor.

As obras da construção iniciaram-se no oitavo ano do reinado de Hatchepsut e continuaram por quase 8 anos. Os construtores usaram pedras calcárias de boa qualidade em todas as partes da construção. Este templo reflete de uma maneira ou outra o conflito árduo entre a rainha e o seu sobrinho Tutmés III sobre o trono, pois a rainha conseguiu depor o seu sobrinho e co-regente Thotmuse (Tutmés) do trono e ficou no poder como uma rainha absoluta por cerca de 21 anos. Mas, de repente, sem saber como, a rainha desapareceu e o sobrinho subiu ao trono sob o nome de Tohotmus III ( Men-khepr-Re). Esse rei e obviamente o seus seguidores fizeram uma campanha destrutiva de vingança contra os monumentos da rainha falecida, omitindo e apagando os seus nomes dentro dos cartuchos e deformaram as imagens nos templos, pois segundo as crenças egípcias antigas, a imagem, e sobretudo o nome da pessoa eram muito importantes para garantir uma vida após a morte, pois a ka (a alma, ou duplo da pessoa) apenas reconhece a pessoa pela imagem e o nome, e omitir o nome do morto significa que a alma não consegue reconhecer o cadáver. Tal tarefa feita por Thotmus III foi considerada um grande castigo contra a rainha falecida Usurpadora do trono na opinião dele. Com certeza os adeptos do rei Tutmés III desempenharam o grande papel dessa campanha e destruíram as estátuas e os cartuchos da rainha em especial no seu belo templo da rainha na região de El Der El Bahari.

O templo foi nomeado de “ Santo Santurum de Amon”. O nome de El Deir El Bahari é árabe e significa “o Convento Setentrional”, pois no século VII d.C os Cristãos Coptas usaram este templo como um convento e instaram-se dentro do seu recinto. De verdade, entre diversas cenas nas paredes sobressaem-se três de grande destaque que comemoram três importantes eventos no reinado de Hatchepsut; o primeiro é o Transporte dos dois grandes Obeliscos que foram erguidos no templo de Amon-Rá em Karnak, o segundo narra da Expedição Comercial enviada pela rainha às terras de Punt (atual Somália), e o terceiro revela o nascimento divino da rainha. As cenas do primeiro terraço do templo estão destruídas.

A parte meridional do primeiro terraço está decorada com a famosa cena do transporte dos dois obeliscos de granito dedicados ao deus Amon-Rá em Karnak, uma tarefa muito cansativa e valiosa que foi realizada em sete meses segundo a escrita nas faces dos dois obeliscos. Também existem outras cenas que ilustram a rainha Hatchepsut fazendo oferendas a Amon. Além disso, há uma cena que representa a construção de barcas de madeira. O segundo terraço é acessível por uma rampa ascendente no centro, e no lado direito tanto como no lado esquerdo existem duas colunatas decoradas da tradicional cornija egípcia. O teto de cada colunata é suportado por 22 pilares, na parede septentrional (ao lado direito) está decorada das cenas do nascimento divino da rainha Hatchepsut que foi, de fato, uma história criada pela rainha ou pelos sacerdotes, seus partidários, para legitimar o seu poder. Na realidade, tal história foi um método religioso e propagativo para apoiar o seu poder diante do povo porque havia conflito entre ela e o seu sobrinho Tutmés III sobre o trono. E também na cultura egípcia era difícil aceitar uma mulher como rainha absoluta, mas através desta história ela interpretou a sua ascensão ao trono como se fosse a própria vontade do deus Amon. infelizmente as cenas do Nascimento Divino estão arruinadas. Ao norte (no lado direito) da colunata do nascimento divino encontra-se a Capela de Anúbis que consta de uma sala hipóstila de 16 colunas cujo teto azul está decorado de estrelas amarelas. A maioria das cenas ali mostra Hatchepsut (sua imagem está omitida), e as vezes Tutmés III fazendo oferendas as diversas divindades. Uma das mais características cenas que vale a pena ver encontra-se na parede ocidental e mostra a rainha (a sua imagem está omitida) concedendo uma grande mesa de oferendas a Amon enquanto  abutre que simboliza a deusa Nekhbet está voando por cima da cabeça da rainha como um sinal de proteção. Outra cena que merece ser vista nessa parte do templo está entalhada à direita e representa a rainha (a sua imagem está omitida) fazendo oferendas ao deus Anúbis enquanto o deus-falcão Hórus está representado em cima da cabeça da rainha como um sinal de proteção. A sala hipóstila conduz a um vestíbulo que termina com o Santuário cujas paredes estão decoradas com diversas cenas religiosas.

A parede meridional (no lado esquerdo do segundo terraço) está decorada de cenas da expedição comercial que a rainha mandou no nono ano do seu reinado às terras de Punt (a costa da atual Somália). A marinha egípcia constava de 5 grandes navios sob o comando de uma figura de grande prestígio chamada "Pa-Nahsy". De qualquer modo, essa expedição marítima continuou quase 2anos, e enfim trouxe os produtos da Somália como o ouro, a mirra, o incenso, o ébano e marfim além de diversas espécies de árvores. Ao sul da colunata de Punt (ao lado esquerdo) encontra-se a Capela de Hathor que tem um pátio com colunas decoradas de representação da deusa Hathor como uma mulher com orelhas de vaca assegurando a sua Cítara famosa. Entre as cenas mais distinguidas há uma que ilustra a deusa Hathor lambendo a mão da rainha Hatchepsut e também há outra cena que mostra a deusa-vaca Hathor amamentando a rainha. Este pátio conduz a uma sala Hipóstila- uma colunata- que originalmente tinha 12 colunas. As paredes estão decoradas com um conjunto de cenas distintas que representa a rainha com as divindades diferentes. Uma das cenas mais características é aquela que ilustra o rei Tutmés III correndo ritualmente perante Hathor. De verdade, a parede do santuário está ornamentada com uma das mais belas cenas que ilustra a deusa Hathor saindo do seu sacrário.

Voltando à rampa central que conduz ao terceiro terraço do templo, pode chegar a uma colunata retangular com colunas decoradas de estátua da rainha em forma osírida (em forma do corpo do deus Osíris). Ao passar essa parte do templo chega-se a um pátio vasto. Ali se pode chegar à parte escavada na rocha que consta de uma pequena sala de duas colunas e contém quatro capelas pequenas nos seus quatro cantos. O teto desta pequena sala está decorado de estrelas amarelas num fundo azul. A maioria das cenas estão destruídas. Passando pela pequena sala chega a um pequeno vestíbulo retangular que conduz ao santuário que inclui dois nichos; um à direita e outro à esquerda.

O terceiro terraço é acessível por uma rampa no centro do segundo terraço. Acredita-se que aqui no século VII existia um convento Copta. O terceiro Terraço consta de Pórtico Osírida com duas filas de pilares quadrados decorados de estátuas da rainha em forma de Osíris(os braços estão cruzados ao peito) que Tutmés III destruiu algumas estátuas e deformou outras como uma parte da sua vingança contra a rainha após a sua morte. Também os nomes da rainha estão omitidos dentro dos cartuchos. O terceiro terraço conduz ao santuário do templo que consta de um vestíbulo retangular escavado inteiramente na rocha da montanha. O vestíbulo que contem 4 nichos, dois do lado esquerdo e dois do lado direito conduz ao santuário que inclui duas pequenas capelas uma à direita e outra à esquerda. Nas paredes, as cenas mostram Hatchepsut e Tutmés III diante de Amon e as outras divindades. No Período Ptolomaico (323-30 a.C) foram aumentadas quatro colunas divididas em duas filas em frente do santuário junto à terceira câmara do santuário cujas paredes estão recobertas de diversas cenas religiosas. À direita se encontra uma cena que mostra o Vizir ilustre Amenhotep Filho de Hapo o arquiteto do Templo de Luxor em frente das divindades diferentes e à esquerda existe outra cena que revela a figura mais importante da III dinastia Imhotep que era o vizir, o alto sacerdote do templo de Rá, em Heliópolis, e ao mesmo tempo o grande arquiteto que desenhou e construiu o complexo funerário de Djoser em Saqqara usando pela primeira vez a pedra em vez de tijolos de adobe. Também Imhotep está representado perante alguns deuses. É curioso mencionar que ambas as figuras foram divinizadas durante a Época das últimas dinastias e a Era Ptolomaica. (entre o s VI a .C e s. I a.C).
Templo de El Der El Bahari no Egito
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