Cidade de Thinis no Egito - Egito Antigo

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Cidade de Thinis no Egito

Localização aproximada de Thinis
Tinis, Thinis ou This (em egípcio: Tjenu) foi a capital das primeiras dinastias do Egito Antigo. As ruínas de Tinis ainda são arqueologicamente ainda desconhecidas, mas a cidade é bem atestada por escritores antigos, incluindo o historiador clássico Manethon, que a cita como o centro da Confederação Tinita, uma confederação tribal cujo líder,  Menés (ou Narmer), uniu o Egito se tornando o primeiro faraó. Tinis começou um acentuado declínio a partir da  III Dinastia, quando a capital foi transferida para Mênfis. Esteve situada na fronteira das dinastias concorrentes de  Tebas e Heracleópolis Magna durante o  Primeiro Período Intermediário, e sua proximidade a certos oásis de possível importância militar, garantiu a Tinis alguma significância nos Impérios Antigo e Médio. Depois dissoTinis eventualmente perdeu sua posição como centro administrativo regional pelo  período romano.

Embora a localização precisa de Tinis seja ainda hoje desconhecida, a maioria dos egiptológicos acreditam que el se cituava nas proximidades da antiga  Abidos e da moderna Girga. Devido a sua herança ancestral, Tinis permaneceu um centro religioso significativo, abrigando a tumba e múmia da deidade regional. Na cosmogonia do Egito Antigo, como visto, por exemplo, no Livro dos Mortos, Tinis desempenhou um papel como um lugar mítico no céu.

Nome e localização

O nome Tinis deriva do adjetivo Tinita usado por Manethon para descrever o faraó Menés. Embora o correspondente Tinis não apareça em grego, é exigido pelo original egípcio e é o nome mais popular entre os egiptólogos.

Corrigindo uma passagem de Helânico de Lesbos, Jörgen Zoega chegou a Τίνδων όνομα to Θιν δε οι όνομα.  Gaston Maspero, em 1903, percebeu que isto revela o nome Tinis e também é um indicador geográfico chave: επιποταμίη (sobre o rio). Maspero usou este detalhe adicional para apoiar a teoria, que inclui dentre seus apoiantes  Jean-François Champollion e Nestor L'Hôte, de que Tinis está situada próxima da moderna Girga ou uma cidade vizinha, possivelmente El-Birba. Outras sugestões para a localização de Tinis tem perdido crédito em detrimento da teoria Girga-Birba:  Auguste Mariette, diretor fundador do Museu Egípcio, sugeriu Kom el-Sultan; A. Schmidt, El-Kherbeh; e Heinrich Karl Brugsch, Johannes Dümichen e outros apoiam El-Tineh, próximo de Berdis. A principal corrente dos egiptólogos continuam a situar Tinis em Girga ou próximo a ela ou El-Birba, onde se diz ter sido encontrada uma estátua com inscrição mencionando Tinis.

História

Períodos pré-dinástico e dinástico arcaico

Embora o sítio arqueológico de Tinis nunca tenha sido encontrado, evidências de concentração populacional na região de Abidos-Tinis data de cerca de 4 000 a.C. Além disso, Tinis também é citada como um sítio de sepultamento real muito antigo do Egito. Em um momento, a cidade de Abidos perdeu sua posição política para Tinis, e embora Abidos continuasse a gozar de importância religiosa considerável, sua história e funções não podiam ser entendidas sem uma referência a Tinis. O papel de Tinis como centro da Confederação Tinita (ou  Dinastia 0) e do Período Dinástico Antigo (especialmente as dinastia I e II), parece ser confirmado pelas tumbas reais de Abidos das I e II dinastias, a principal necrópole regional.

Império Antigo

Tal importância parece ter sido de curta duração: certamente, o papel político nacional de Tinis terminou no começo da  III Dinastia (2686 a.C.), quando Mênfis tornou-se o principal centro político e religioso do país. Entretanto, Tinis manteve sua significância regional: durante a  V Dinastia, foi a provável sede do "supervisor do Alto Egito", um oficial administrativo com responsabilidade pelo vale do Nilo ao sul do Delta, e ao longo da Antiguidade foi a capital epônima do nomo VIII do Alto Egito e a sede de seu nomarca.

Durante as guerras do Primeiro Período Intermediário (2181-2055 a.C.), Anchtifi, o nomarca de Hieracômpolis, exigiu reconhecimento de sua suserania pelo "supervisor do Alto Egito" em Tinis, e embora os muros da cidade, citados na autobiografia de Anchtifi, parecem tê-lo permitido apenas demonstrar sua força, ele aparentemente teria adquirido a neutralidade de Tinis com grãos. Após a morte de Anchtifi, Tinis foi o nomo setentrional a cair sob domínio de  Antef II, faraó da  XI Dinastia tebana (2118 – 2069 a.C.). O progresso ao norte dos exércitos tebanos foi interrompido por Kheti III, faraó da  IX Dinastia  heracleopolitana, em uma batalha em Tinis, que é registrada no Ensinamento ao rei Merikare e, ao longo dos últimos anos de Antef II, sua guerra contra Heracleópolis e seus aliados, os nomarcas de Assiut, foi travada entre Tinis e Assiut. Quando Tebas começou a tomar vantagem,  Mentuhotep II (2061 – 2010 a.C.), em sua campanha de reunificação, trouxe Tinis, que tinha se revoltado, possivelmente por instigação heracleopolitana e certamente com apoio de um exército sob comando do nomarca de Assiut, firmemente sob seu controle.

Durante o  Segundo Período Intermediário (século XVIII a.C.), Tinis pode ter experimentado autonomia ressurgente: Kim Ryholt (1997) propõe que a dinastia real de Abidos pode melhor ser chamada de "dinastia tinita" e que, em qualquer caso, a sede real deles foi provavelmente Tinis, já uma capital de nomo.

Império Novo e Época Baixa

O gradual declínio da cidade parece ter sido interrompido brevemente durante a  XVIII Dinastia (1550 – 1292 a.C.), quando Tini gozou de proeminência renovada, em decorrência de sua conexão geográfica com vários oásis de possível importância militar. Certamente, o ofício de prefeito de Tinis foi ocupado por várias figuras notáveis do  Império Novo: Satepihu, que participou na construção do Obelisco de  Hatchepsut e foi assunto de uma estátua cúbica; o arauto Antef, um membro da casa real e o companheiro de viagem de  Tutmés III (1479 – 1425 a.C.); e Min, tutor do príncipe Amenófis III. No entanto, Tinis declinou para um assentamento de pouca importância pelo período histórico. A referência enganosa de uma estela assíria do século VII a.C. para "Nespamedu, rei de Tinis" é nada mais que um reflexo da "ignorância assíria para a sutileza da hierarquia política egípcia". Certamente, pelo período romano, Tinis foi suplantada como capital de seu nomo por Ptolemais, talvez mesmo tão cedo quanto a fundação da cidade por Ptolemeu I Sóter.

Religião

Cada nomo abrigou a tumba e múmia do chamado "deus do nomo". Tinis era o templo e último lugar de descanso de Onúris, cujos epítetos incluem "touro de Tinis", e que foi adorado após sua morte como Khentiamentiu, a quem, como deus do nomo, foi colocado como chefe da enéade local. O sumo sacerdote do templo de Onúris em Tinis foi chamado "o primeiro profeta", ou "chefe dos videntes", um título que Gaston Maspero sugere ser um reflexo do declínio de Tinis no estatuto como uma cidade. Um destes chefe dos videntes, Anurmósis, que morreu no reinado de  Merenptah, quebrou com a tradição de seus predecessores do Império Novo, que foram enterrados em Abidos, e foi sepultado na própria Tinis.

A deusa-leoa Mehit também foi cultuada em Tinis, e a restauração de seu templo durante o reinado de Merenptah foi provavelmente supervisionado por Anurmósis. Há evidências de que a sucessão no ofício de chefe dos videntes de Onúris em Tinis foi familiar: no período heracleopolitano, um Hagi sucedeu seu irmão mais velho, também chamado Hagi, e o pais deles para o posto; e, no Império Novo, Uenenefer foi sucedido no ofício sacerdotal por seu filho, Hori.

Na cosmogonia do Egito Antigo, Tinis desempenhou um papel como um local mítico no céu. Em particular, como estabelecido no Livro dos Mortos, seu significado escatológico pode ser visto em certos rituais: quando o deus  Osíris triunfa, "alegria saia a sua volta em Tinis", uma referência à Tinis celestial, ao invés da cidade terrena.
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