Tutmés III - Faraó do Egito Antigo - Egito Antigo

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Tutmés III - Faraó do Egito Antigo

Tutmés III ou Tutmósis III (que é a versão helenizada do seu nome) foi o sexto faraó da XVIII dinastia egípcia, no Império Novo. O seu prenome ou nome de coroação foi Menkheperré o que significa "Estável é a manifestação de ".

Governou oficialmente por mais de cinquenta anos, mas deve-se enquadrar neste período os vinte e dois anos de reinado da sua tia e madrasta Hatchepsut (esposa do seu pai Tutmés II), que assumiu o trono
Faraó do Egito

Estátua do faraó Tutmés III em basalto, no museu de Luxor no Egito.
Reinado
1479 a.C. a 1425 a.C.  18ª Dinastia
Predecessor
Sucessor
Amenhotep II
durante a sua menoridade. As datas do reinado de Tutmés III variam segundo os pesquisadores. Para Edward Frank Wente reinou entre os anos de 1504 e 1450 a.C., enquanto que autores como Nicholas Grimal, Jürgen von Beckerath, Jaromir Málek ou Ian Shaw situam o seu reinado entre 1479 e 1425 a.C..

Tutmés III ficou famoso pela sua atividade militar, mas também pela sua intensa atividade construtora. Alguns pesquisadores consideram-no como um dos faraós mais importantes do Egito Antigo, tendo sido apelidado de "Napoleão do Egito" por James Henry Breasted.

Família

Tutmés III era filho do faraó Tutmés II e de uma concubina chamada Ísis (ou Iset). A esposa principal de Tutmés II (ou "Grande Esposa Real" de acordo com o título da época) era a sua meia-irmã Hatchepsut. Este casamento não gerou nenhum filho homem, tendo Tutmés II antes de falecer nomeado como seu sucessor Tutmés III. Contudo, uma vez que Tutmés era muito jovem para reinar quando o seu pai morreu, a sua tia e madrasta, Hatchepsut, tornou-se regente.

No segundo ou terceiro ano da sua regência Hatchepsut decide alterar o seu estatuto (de "Grande Esposa Real" de Tutmés II) fazendo-se coroar como faraó, tendo recebido o apoio de altos funcionários, como o intendente-geral e arquiteto Senenmut, o vizir Ahmés, o escriba real Senemiah e sumo sacerdote de Amon Hapuseneb. Hatchepsut assumiu os atributos e prerrogativas dos faraós, como o uso da barba postiça e de uma titulatura. A rainha recorreu também a uma ficção mitológica, através da qual se apresentava como filha do deus Amon, que se tinha unido (com o aspecto do seu pai) à sua mãe, a rainha Ahmés-Nebetta.

Hatchepsut governou como "faraó" durante vinte e dois anos. Apesar de ter sido relegado para segundo plano, Tutmés recebeu uma educação que se adequava ao seu estatus, tendo sido instruído nas artes militares. É provável que Hatchepsut tenha atribuído a Tutmés o comando de uma expedição militar à Núbia e a outras terras estrangeiras.

Tutmés casou com uma filha de Hatchepsut, Neferuré, que faleceu no décimo primeiro ano do reinado de Hatchepsut. Tutmés teve também como esposas Hatchepsut II Meritré e Satiah. Da primeira, que alguns consideram ser uma filha de Hatchepsut, nasceram a princesa Meritamon, Amenhotep (seu sucessor), o príncipe Menkheperré, a princesa Ísis, outra princesa chamada Meritamon e a princesa Nebetiunet. Sitiah, filha de uma enfermeira real, ostentou os títulos de "Grande Esposa Real" e "Esposa do Deus"; desta rainha não se conhecem filhos. Além disso, Tutmés III teve várias esposas estrangeiras que serviram como "alianças" internacionais com príncipes sírios e palestinos.

Assim que se tornou rei, que se verificou de fato após a morte da sua madrasta, Tutmés ordenou a destruição de estátuas de Hatchepsut e mandou apagar as inscrições do nome desta presentes nos monumentos, substituindo-o pelo nome do seu avô, do seu pai ou pelo seu próprio nome. Tutmés também legitimou o seu poder através do deus Amon, como revelam inscrições gravadas em monumentos. De acordo com estas, numa ocasião em que Tutmés se encontrava no templo de Karnak, a estátua de Amon, que viajava na sua barca sagrada, e os sacerdotes que a carregavam, prostraram-se perante o novo monarca.

O reinado

Campanhas militares


Nos trinta e quatro anos que esteve no poder, Tutmés III empreendeu 17 campanhas na região da Síria-Palestina. Como resultado destas campanhas o Egito expandiu o seu domínio até ao rio Eufrates. O relato destas campanhas (conhecido como os "Anais" de Tutmés III) encontra-se registrado nas paredes do santuário da barca em Karnak, tendo sido autoria do arquivista e escriba real Tianuni. Fez uma expedição até Mitanni após cruzar o rio Eufrates e estendeu suas conquistas até a região de Napata, no Sudão. Além disso, estabeleceu contatos comerciais com reinos vizinhos.

No ano em que assumiu o poder, Tutmés teve que conter uma revolta dos povos da região da Síria-Palestina, liderados pelo príncipe de Kadesh e com o apoio de Mitanni. Desde o início do Império Novo os egípcios seguiram uma política que visava afastar do Egito os povos da Síria-Palestina; por sua vez o império Mitanni (cujo núcleo situava-se entre o rio Tigres e o rio Eufrates) fomentava a revolta das populações desta região contra o Egito para que estas não fossem uma ameaça ao seu império.

A primeira campanha partiu da região oriental do Delta do Nilo, passou pela cidade de Gaza até chegar a Yehem (a sul do Monte Carmelo), onde se reuniu um conselho de guerra. Em Megido (a sudeste da moderna cidade de Haifa), encontravam-se os inimigos do Egito, o príncipe de Kadesh e as suas forças aliadas. Três estradas ligavam Yehem a Megido, duas largas e uma estreita e difícil que passava por um desfiladeiro. Os conselheiros do rei recomendam evitar a estrada estreita, que, em caso de ataque, o exército sofreria bastante. Tutmés III teve uma opinião contrária e ordenou que se seguisse pela via mais estreita, que era a mais rápida. Megido seria cercada durante sete meses, até se render ao exército egípcio. Tutmés partiu depois em direção a Tiro, tomando as cidades de Yanoam, Nuges e Herenkeru.

Como resultado da vitória em Megido, o Egito conseguiu um espólio de guerra que incluía bens como 894 carros de guerra (2 cobertos de ouro) e 2 mil cavalos.

No trigésimo terceiro ano do seu reinado Tutmés realizou uma campanha que atingiu o próprio reino de Mitanni. O faraó ordena a construção de vários barcos de madeira de cedro, que são colocados em carroças puxadas por bois e que serviriam para atravessar o rio Eufrates. O confronto não está descrito em pormenor nas fontes históricas, mas sabe-se que o seu resultado foi a fuga do rei de Mitanni e a tomada de soldados e de mulheres do seu harém. Em comemoração pela vitória, Tutmés manda erguer uma estela junto ao rio ao lado de uma estela que tinha sido erguida pelo seu avô Tutmés I. No regresso ao Egito aproveita para caçar elefantes no vale do Orontes; de acordo com as fontes o faraó teria sido imprudente, enfurecendo os animais que se encontravam num lago, tendo sido necessário que um dos seus militares, Amenemheb, entrasse na água para salvá-lo.

Tutmés desenvolveu um grande e desenvolvido sistema administrativo. Nele, os governantes de estados súditos viam-se obrigados a pagar tributos anuais ao Egito. Esses governantes deveriam também obedecer ao representante do faraó em sua região. Tutmés III também acolheu na sua corte, em Tebas, 36 jovens príncipes oriundos das regiões subjugadas que eram educados de acordo com os costumes egípcios; quando estes se tornassem adultos retornavam às suas terras natais, estando garantida à lealdade ao Egito.

Quando Hatchepsut resolveu que iria assumir o comando do Egito, ela conseguiu o apoio do grande clero de Amon em troca de favores. Agora, os sacerdotes ofereciam perigo a Tutmés III. Ele então, para contentá-los, ampliou seus domínios. Entretanto, ao mesmo tempo, acabou por diminuir sua influência nomeando sumos sacerdotes e amigos seus.

Nos últimos anos de seu reinado, Tutmés III dividiu suas atividades com seu filho primogênito, o jovem Amen-hotep.

Construções

Tutmés também implementou uma grande atividade construtora, erguendo grandes obras. Isto foi possível, em grande parte, graças à grande receita obtida através dos tributos pagos pelos povos submetidos, pelo saque de guerra e pelo ouro vindo da Núbia. Tal atividade só viria a ser alcançada séculos mais tarde por Ramsés II.

O local de maior expressão desta atividade construtora foi o templo de Amon em Karnak. Nele foram erguidos dois obeliscos (que se encontram hoje em dia em Roma e Istambul) e acrescentado dois pilones. As colunas de madeira do templo foram substituídas por colunas de pedra, tendo também sido construído um novo santuário para a barca divina.

A leste do grande templo de Karnak construiu-se em blocos de arenito uma estrutura denominada Akh-menu ("sala das festas"), que tinha entre os seus objetivos servir como espaço de celebração da festa Sed do faraó. Neste existe uma pequena sala com quatro colunas papiriformes cujas paredes estão representados animais e plantas da Síria, razão pela qual a sala é conhecida como "jardim botânico".

O templo de Rá em Heliópolis também ganhou dois obeliscos, que se encontram hoje no Central Park de Nova Iorque e no rio Tâmisa em Londres.

Outros locais do Egito onde também tiveram trabalhos ordenados pelo faraó foram Tebas, Kom Ombo, Ermant, Tod, Medamud, Dendera e Esna. Na Núbia foram efetuadas obras nos sítios de Buhen, Sai, Faras, Dakka, Arco, Kuban, Semna e Guebel Barkal.

Tumba

Tutmés mandou construir o seu templo funerário em Deir el-Bahari, entre os templos de Mentuhotep II e de Hatchepsut. O templo foi descoberto em 1962 não possuindo a grandiosidade do templo da madrasta.

Tutmés III foi enterrado no Vale dos Reis, na tumba KV34, descoberta no ano de 1898 pelo egiptólogo francês Victor Loret. Da mesma forma do que aconteceu com outros túmulos este também foi alvo de pilhagens. As suas paredes encontram-se decoradas com figuras esguias pintadas em negro e vermelho sobre um fundo cinzento (que pretendia simular o aspecto de um papiro), encontrando-se nelas a versão mais completa do Livro de Amduat (que fornecia ao faraó morto um mapa do mundo dos mortos e feitiços protetores) e a versão mais antiga que se conhece da Litania de Rá.

A sua múmia foi encontrada em 1889 em estado danificado no "esconderijo" de Deir el-Bahari, para onde tinha sido transladada pelos sacerdotes da XXI dinastia, que pretendiam proporcionar-lhe uma maior segurança e consequentemente garantir a vida eterna do faraó.
Precedido por
Faraós do EgitoSucedido por
Amen-hotep II
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